Apresentação


Suzy King, anos 50

Georgina Pires Sampaio iniciou sua carreira artística em 1939, em São Paulo, sob o pseudônimo Diva Rios, cantando sambas e marchas.
Mais tarde, no Rio de Janeiro, seguindo o caminho aberto por Luz del Fuego, passou a se apresentar com cobras em espetáculos de canto e dança em circos e teatros, usando o nome Suzy King.
Anunciada sempre como "bailarina exótica" ou "rival de Luz del Fuego", Georgina seguiu por toda a década de 50 ganhando por diversas vezes manchetes nas primeiras páginas dos jornais, mais pelas confusões que provocava com suas cobras e seu corpo do que por motivos essencialmente artísticos.
Atrevida, não se limitou ao canto e à dança, chegando a escrever uma peça (interditada pelo Serviço de Censura de Diversões Públicas) e se tornando, durante o auge do faquirismo no Brasil, uma faquiresa, o que também lhe rendeu grande publicidade e mais escândalos.
Desapareceu da cena artística, porém, nos anos 60, quando o cenário político do país e a pretensa modernização que visionava sofisticar os gostos do povo brasileiro contribuíram para o fim dos que, como ela, eram artistas do povo - faquires, bailarinas exóticas, vedetes... Todo um mundo de emoções baratas enterrado sob a repressão e novos vícios populares.
Sempre transgressora, partiu para os Estados Unidos no final dos anos 60, passando a viver sob nova identidade - se tornou Jacuí Japurá Sampaio Bailey, dezessete anos mais nova, vindo a falecer em 1985, na Califórnia.

Georgina Pires Sampaio started her very public life in 1939, in São Paulo, Brazil, as Diva Rios, singing sambas and marches.
Later on, following the trail opened by shock-star Luz del Fuego (Fire’s Light) she changed her name to Suzy King and started her peculiar act of singing-and-dancing while holding big pythons around herself.
Georgina had her peak during the 1950s when public fakirism was a craze in the country. She was a multi-media star of sorts when such a term did not exist yet, always making sure newspapers would keep abreast of what she was doing.
She kept her pythons in her own flat in Copacabana having had the neighbours on edge when a python escaped from its cage falling down to its death on the pavement. It was front page news.
Georgina wrote a play that was banned by the authorities. She also tried to emulate Lady Godiva wearing a long blond wig to cover her breasts and riding a horse through the centre of the city. She was almost gang-raped by a mob and was helped by a good soul that passed by.
In the mid 1960s, Georgina suddenly disappeared from the media watch. It may be a coincidence (or not) that Brazil in 1964 entered into a long period of Military Dictatorship and heavy censorship.
Georgina left for the USA in the late 1960s, where she changed her name to Jacuí Japurá Sampaio Bailey. At the same time she decided to lope 17 years off her official age. Georgina died in 1985, in California.


Suzy King quando ainda usava o nome Diva Rios, nos anos 40


Suzy King e seu filho Carlos Sampaio de Araújo, 1959



 Suzy King em fotografias usadas para divulgar seus shows no México no final dos anos 60, quando se apresentava como Jacuí Japurá


Suzy King quando residia nos Estados Unidos, nos anos 70

Em busca de mais informações sobre ela e no papel de resgate de um nome outrora popular e, como tantos, hoje quase que totalmente esquecido, nasceu esse blog - tributo a Suzy King e resultado de um longo trabalho de investigação.
A quem possa interessar falar sobre Suzy King, por interesse em sua figura ou por se lembrar dela, peço que entre em contato comigo pelo e-mail

Alberto de Oliveira
alberto1992oliveira@gmail.com

E que retorne à luz Suzy King...


Suzy King por Alberto Camarero

Pesquisa: Alberto de Oliveira e Alberto Camarero
Versão original em português: Alberto de Oliveira
Versão traduzida para o inglês: Carlus Maximus


Suzy King é uma das faquiresas focalizadas no livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" (acesse também o blog do livro - http://cravonacarnefamaefome.blogspot.com.br/ ), de Alberto de Oliveira, o criador desse blog, e Alberto Camarero.
Trata-se do resultado de extensa pesquisa realizada pelos autores sobre as faquiresas que se exibiram no Brasil entre os anos 20 e 50 do século XX.
"Cravo na Carne - Fama e Fome" foi contemplado pelo Prêmio Carequinha, da Funarte, e foi publicado pela editora Veneta em 2015.
É possível adquiri-lo através dos seguintes sites:



Nenhum comentário:

Postar um comentário