1956

Ao longo dos anos 50, era comum, quando se aproximava o Carnaval, o anúncio de concursos que coroariam as rainhas de cada coisa - Rainha do Carnaval, Rainha das Atrizes, Rainha das Vedetes, Rainha das Girls, Rainha da Cidade, Rainha do Frevo, Rainha de determinado baile carnavalesco e Rainha do que mais se pudesse imaginar.
Os concursos atraíam artistas de todas as áreas e representavam para as que ainda não haviam obtido o devido destaque a grande chance de conquista da fama almejada.
Em 1955, Suzy King já era artista profissional há mais de quinze anos, embora com esse nome o fosse apenas há três anos. Apesar de tantos anos dedicados à atividade artística, o que conseguira ainda era pouco. Um concurso desses viria a calhar para ela.
E foi assim que no final daquele ano, Suzy King tomou parte no concurso que elegeria a Rainha das Atrizes de 1956, disputando a coroa e outros prêmios com Angelita Martinez, Peggy Aubry, Wilza Carla, Rosita Lopes e outras.
No final, Suzy King pegou o quarto lugar, com quase quinze mil votos. A vencedora, Angelita Martinez, contava quatrocentos e cinquenta mil votos. Cerca de sete mil votos separavam Suzy King de uma das princesas eleitas naquele ano - Wilza Carla, que ficara com o terceiro lugar.

During the 1950s, as Carnaval got closer, newspapers, magazines, radio-stations and community-clubs organized competitions to elect Queens of any sort imaginable: queen of Carnaval, queen of actresses, queen of the city, queen of samba, frevo etc. This usually meant the publication would print a ‘voucher’ in one of the pages where the public would choose their queen, filled in the dotted line and send the clipping to their office. The ‘queen’ would be the one with more votes. It helped sell magazines and newspapers.
In late 1955, Suzy King thought her career would only benefit if she entered one of these matches. She entered the ‘Queen of Actresses’ and competed with names much more famous than hers like Peggy Aubry and Rosita Lopes . She ended up with an honourable 4th place having had 15,000 votes. Show-girl Angelita Martinez won the race with half a million votes but Suzy was only 7,000 votes shy of being #3 – Wilza Carla with 21,000 votes.


A Noite, 06 de dezembro de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional





Última Hora, 03 de janeiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional



Jornal das Moças, 05 de janeiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional



Última Hora, 10 de janeiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional



Última Hora, 12 de janeiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


Última Hora, 13 de janeiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


Correio da Manhã, 22 de janeiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


A Noite, 31 de janeiro de 1956


Jornal das Moças, 02 de fevereiro de 1956

Passado o concurso e anunciada a vitória de Angelita Martinez, Suzy King seguiu para São Paulo, na intenção de descansar alguns dias depois de intensa atividade nos palcos cariocas.
E outra vez, como já ocorrera em 1953, uma de suas cobras fugiu, o que causou grande tumulto no Hotel Irradiação, onde estava hospedada, gerando sua expulsão do Hotel e interessante reportagem na edição paulista do jornal "Última Hora".








Última Hora (SP), 04 de fevereiro de 1956
Fonte: Fundo Última Hora, Arquivo Público do Estado de São Paulo











Suzy King fotografada por Dario Terini
Fonte: Fundo Última Hora, Arquivo Público do Estado de São Paulo

Na segunda metade dos anos 50, o Rio de Janeiro era pródigo em faquires, que aos poucos se espalharam por todo o Brasil. A onda durou até o final da década, quando um novo cenário e os sucessivos escândalos envolvendo faquires terminou por desinteressar o público desse tipo de exibição.
O espetáculo era sempre o mesmo - uma urna de vidro instalada em local público, na qual o faquir, trancafiado por algumas dezenas de dias, geralmente procurando bater algum recorde, jejuava sobre uma cama de pregos ou cacos de vidro cercado por cobras.
Entre os faquires mais famosos da época estavam Silki, um dos poucos que seguiu na profissão além dos anos 50, e Urbano, que começara sua carreira de jejuador nos anos 20, seguira se apresentando pela América Latina e, aproveitando a volta à moda do faquirismo, retornara ao Brasil e passara a se apresentar ao lado de sua esposa Mara, que também jejuava.
Embora o Brasil tivesse tido algumas jejuadoras nos anos 20, foi nos anos 50 que elas ganharam um nome especial - faquiresa - e receberam mais atenção por parte da imprensa.
Eram quase sempre louras (na maior parte das vezes oxigenadas) e misturavam ao jejum a sedução que podia haver em uma mulher exposta com cobras, muitas vezes com poucas roupas, despertando grande interesse por parte do público.
Suzy King, que tentava construir uma carreira sólida há quase vinte anos, deve ter visto no faquirismo uma última possibilidade de receber o destaque que buscava. Verdade seja dita, esse parece ter sido o motivo principal de todas as mulheres que se dedicaram ao faquirismo nos anos 50 - a busca pelo sucesso não obtido em outras áreas. E para Suzy King, que já tinha experiência com cobras, aquilo deveria ser fácil.
A primeira referência encontrada sobre uma prova de jejum de Suzy King data de março de 1956, quando, depois de vários dias se apresentando no rádio e na noite de Juiz de Fora, a artista foi encerrada em uma urna de vidro no Cine Glória, sendo levada de caminhão até o edifício Juiz de Fora, onde deveria passar vinte dias jejuando ao lado de três serpentes.

The 2nd half of the 1950s was prodigious with fakirs of all kinds and shapes in Rio de Janeiro until the public got tired of such a tawdry act and looked for cheap thrills elsewhere. The act usually consisted of a fakir laying down on a bed of nails inside a glass box eating nothing for a certain period of time. People would pay an admission fee to file past the box and check it out. Sometimes the fakir would add a couple of pythons to the side of their thin bodies for dramatic purposes. Silki and Urbano were the most famous among them.
Suddenly in the 1950s female fakirs came to prominence in the media. They were usually bottle blondes who presented themselves scantly clad in loin cloths or swim suits. Snakes around half-naked women was a sure fire box office success!
Suzy King who had pursued notoriety for 20 years thought her chance lay with snakes and hunger and took to it with heart and soul.


  
Folha Mineira, Juiz de Fora, MG, 25 de fevereiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


Folha Mineira, Juiz de Fora, MG, 27 de fevereiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional

  
Folha Mineira, Juiz de Fora, MG, 01 de março de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional
 

  
Folha Mineira, Juiz de Fora, MG, 02 de março de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


Diário da Tarde, Juiz de Fora, MG, 03 de março de 1956
Fonte: Arquivo Histórico de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG


Diário Mercantil, Juiz de Fora, MG, 03 de março de 1956
Fonte: Arquivo Histórico de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG


Gazeta Comercial, Juiz de Fora, MG, 03 de março de 1956
Fonte: Biblioteca Municipal Murilo Mendes, Juiz de Fora, MG





  
Folha Mineira, Juiz de Fora, MG, 01 de março de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional
 

Correio da Manhã, 25 de março de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


Diário da Noite (SP), 12 de abril de 1956
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo







Suzy King em fotos sem autoria
Fonte: Fundo Última Hora, Arquivo Público do Estado de São Paulo

Em maio, uma pequena nota de jornal informava ao público carioca que Suzy King realizava nova prova de jejum em São Paulo.
Na ocasião, ela se encontrava encerrada em uma urna de vidro com suas cobras, dormindo não sobre uma cama de pregos ou cacos de vidro, mas sobre um colchão de espuma.
Na entrada, um aviso: "Não falem com a faquiresa. A bela entre as feras".


Diário da Noite, 15 de maio de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional


Diário da Noite, 18 de julho de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional

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